Por muitos anos as mulheres foram reprimidas e não tiveram acesso à informação, liberdade de pensamento, participação política, poder de decisão e oportunidade para decidir sobre o próprio corpo.

Entregues pelos próprios pais para se casarem com homens que, muitas vezes, nem ao menos conheciam, as mulheres tiveram que lidar com maridos autoritários e, por vezes, violentos.

Sem o direito de votar, impedidas de ler, estudar, opinar e ocupar cargos públicos, elas eram destinadas à cuidar do lar.

Tinham pouco poder de escolha sobre o próprio corpo e eram ensinadas, desde criança, que a grande realização pessoal viria com o sucesso do casamento e com a maternidade.

Para isso, deveriam estar sempre dispostas a manter relações sexuais com seus maridos, com o objetivo de dar-lhes prazer e muitos filhos, principalmente filhos homens.

Felizmente, com o passar dos anos e com muita luta, as mulheres conseguiram a oportunidade de estudar e fazer parte do mercado de trabalho, começando a ocupar cargos que antes eram unicamente masculinos.

O surgimento da pílula anticoncepcional merece destaque, pois deu a elas maior poder de escolha sobre a maternidade, separando o ato sexual da possibilidade de reprodução.

A informação, de modo geral, também foi ficando cada vez mais acessível e as mulheres tiveram mais acesso à saúde, começaram a reivindicar direitos e a denunciar quem ousasse infringir sua dignidade e liberdade.

A Lei Maria da Penha, no Brasil, as protege da violência e do feminicídio, enquanto programas do Ministério da Saúde buscam priorizar a atenção integral à saúde feminina.

Ainda assim, até hoje precisam batalhar pela igualdade salarial e lidar com a violência moral, o abuso psicológico e sexual, todos muito presentes no ambiente corporativo e também no ambiente doméstico.

Como a identidade feminina foi toda criada em bases históricas machistas, as mulheres modernas ainda sofrem com a condição “multitarefa”. São mães, filhas, esposas, profissionais, donas de casa – e cobradas para exercerem tudo com excelência.

Muitas vezes elas não têm tempo de cuidar da própria saúde, e a pandemia potencializou toda a pressão existente sobre a figura feminina. A maioria, encarregada das atividades de casa (assim como no velhos tempos), também tem que conciliar o home-office com a criação dos filhos.

O Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher, 28 de maio, reforça a importância da promoção da saúde da mulher como princípio norteador para consolidar os avanços no campo dos direitos sociais, sexuais e reprodutivos.

Com ênfase na melhoria da atenção obstétrica, no planejamento familiar, no combate à violência doméstica e sexual, o EuSaúde também busca chamar a atenção e conscientizar a sociedade sobre problemas de saúde comuns na vida das mulheres, tais como: câncer de mama, endometriose, infecção urinária, câncer no colo do útero, fibromialgia, depressão e obesidade.

Cuidados primordiais

Alguns cuidados com a saúde são importantíssimos para melhorar a qualidade de vida e reduzir a mortalidade das mulheres por causas preveníveis e evitáveis.

É no contato com sua equipe de saúde que a mulher poderá receber orientações sobre quais, quando e como fazer seus exames preventivos, sobre o uso de métodos anticoncepcionais, irregularidade menstrual, prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e diagnóstico precoce do câncer de mama e colo do útero.

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Os exames periódicos, por exemplo, têm a finalidade de diagnosticar alterações da saúde da mulher mesmo antes da paciente apresentar sinais e sintomas das doenças ginecológicas, melhorando as chances de tratamento e cura.

Atualmente, no entanto, muitas mulheres estão esperando o fim da pandemia para marcar uma consulta médica e realizar exames de rotina, que poderiam detectar doenças como o câncer de mama. 

Vale lembrar que, embora o momento exija cuidados para evitar a contaminação pelo novo coronavírus, atrasar consultas e exames pode significar se expor a riscos desnecessários.

Alguns exames são fundamentais nas diferentes etapas da vida e devem ser mantidos, inclusive nos dias atuais. São eles:

Início do ciclo menstrual até os 30 anos
A partir desta idade, é importante realizar todos os exames de saúde geral para diagnosticar doenças já existentes, porém que podem ainda não ter se manifestado. Problemas do coração e da tireóide hipertensão e diabetes podem ser alguns exemplos.

  • Exames gerais: Hemograma (análise geral do sangue), glicemia de jejum, ureia e creatinina (função renal), colesterol total e triglicerídeos, função tireoideana, urina e parasitológico de fezes, eletrocardiograma de repouso, teste ergométrico e ecocardiograma.
  • Papanicolau e exame pélvico: devem ser feitos anualmente a partir dos 25 anos (algumas mulheres têm indicação de iniciar antes).
  • Ultrassom pélvico/transvaginal: solicitado sempre que o médico ginecologista achar necessário. Pode ser realizado por via transvaginal, quando a mulher já teve relação sexual ou via abdominal para mulheres virgens.

30 e 40 anos
Nessa fase, além do check-up regular, a mulher deve ter cuidado especial com o sistema reprodutivo, pois é nesse período que aumenta a incidência de câncer de mama e de colo de útero.

  • Mamografia: deve ser feita pela primeira vez aos 35 anos e repeti-la anualmente. Caso haja histórico de câncer de mama na família (mãe e avó), é necessário realizar o exame logo após os 30 anos.

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40 aos 50 anos
Nessa fase, é fundamental que a mulher dê especial atenção à osteoporose.

  • Desintometria óssea: como nessa faixa etária a osteoporose é uma das doenças mais comuns, esse exame deve ser feito pela primeira vez entre 40 e 45 anos e repeti-lo anualmente se apresentar algum grau de perda de massa óssea. Se o resultado for normal, deve ser feito a cada dois anos.
  • Papanicolau e exame pélvico: Caso esteja entrando na menopausa ou se trata – ou tratou – de câncer de colo uterino, deve realizar esses exames quatro vezes por ano.
  • Raio-X do tórax: Para as fumantes, é recomendado que faça exame a partir dos 40 anos, anualmente.
  • Testes de perfil hormonal: Após o início do climatério – irregularidade que antecede à menopausa – pode ser recomendado que seja feito um perfil hormonal, através do exame de sangue coletado junto com os demais da rotina habitual.


Acima dos 50 anos
A partir dessa idade, os exames devem ser anuais ou semestrais, de acordo com os resultados ou estado clínico da mulher. É importante que ela visite o ginecologista a cada seis meses, principalmente se realiza terapia hormonal.

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Para as mulheres diabéticas nesta faixa etária, além dos exames de rotina, é fundamental se atentar a outros fatores como contagem de glicemia (duas vezes ao ano), controle de peso e exame de fundo do olho para analisar o grau de comprometimento das artéria

Saúde mental importa

Como já foi dito anteriormente, a mulher, por necessidade ou dom, precisou se acostumar com a multiplicidade de papéis na sociedade. A maior parte das mulheres possui uma rotina realmente muito complexa, envolvendo cuidados com os filhos, a casa, o casamento e a profissão.

Como se não bastasse as inúmeras funções desempenhadas, a mulher ainda é frequentemente submetida a diversos fatores estressores, sejam psicológicos, sejam físicos, como o medo da violência e do abuso, o que pode prejudicar sua saúde mental.

Alguns questões estruturais são potencializadoras para o adoecimento psicológico das mulheres. Entre elas a atribuição das tarefas domésticas inteiramente à mulher, a falta de momentos de lazer e questões econômicas envolvendo a responsabilidade de manter uma família, por exemplo.

Do ponto de vista biológico, elas estão sob os efeitos das oscilações hormonais que ocorrem na menarca, gestação, climatério e menopausa. 

Estudos apontam que depressão e ansiedade acometem mais mulheres do que homens. Por isso, sintomas frequentes como nervosismo, preocupação excessiva, estresse, tristeza e irritabilidade indicam a necessidade da mulher dar mais atenção a sua saúde emocional.

Em tempos de pandemia, a situação é ainda mais complicada. As mulheres ficaram mais ansiosas, deprimidas e estressadas boa parte do tempo, como aponta um estudo realizado entre maio e junho de 2020, com homens e mulheres de várias regiões do país.

O aumento do número de agressões contra as mulheres durante o isolamento também pode explicar o desequilíbrio emocional pelo qual muitas delas têm passado.

Em todos os países, obrigados a decretar medidas de restrições aos deslocamentos para frear a propagação do vírus, muitas mulheres e crianças se viram presas em residências pouco seguras.

De acordo com dados da ONU Mulheres divulgados no fim de setembro de 2020, o confinamento levou a aumentos das denúncias ou ligações para as autoridades por violência doméstica.

Força que vem de dentro

Para que as mulheres consigam ter mais qualidade de vida, alguns hábitos, que vão além das visitas ao médico e do check-up preventivo, podem ser implementados na rotina, a fim de melhorar a saúde do corpo e da mente.

Cuidar da autoestima, praticar atividades físicas regularmente e manter uma alimentação saudável ajudam a contribuir para uma vida mais equilibrada e mais feliz.

Ter uma rotina de exercícios pode fazer com que se sintam mais animadas e com mais disposição, enquanto a alimentação saudável, com frutas, verduras, legumes, grãos e cereais integrais, aliada a uma ingestão menor de gordura, oferece mais energia e evita problemas como a obesidade.

Aparentemente, as mulheres admitem o sofrimento com mais facilidade do que os homens. Portanto, caso não estejam bem, é fundamental que peçam ajuda da família e recorra aos profissionais da saúde, como psicólogos e psiquiatras.

Em relação à qualquer tipo de violência – seja ela moral, física, psicológica ou sexual -, as mulheres precisam estar sempre atentas e devem denunciar, por mais que exista dificuldade para prestar queixa de abusos, seja por vergonha ou por medo.

A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 presta uma escuta e acolhida qualificada às mulheres em situação de violência. O serviço também fornece informações sobre os direitos da mulher, como os locais de atendimento mais próximos e apropriados para cada caso. A ligação é gratuita e o serviço funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. 

A busca pela saúde do corpo, da mente e das relações interpessoais pode ser cansativa e acabar exigindo das mulheres ainda mais força e coragem. Apesar disso, esse esforço é fundamental. Muito além da atenção aos padrões estéticos, a saúde da mulher depende de toda uma rede de cuidados, que passa, inclusive, pelo amor próprio e pelo cultivo da autoestima.

O EuSaúde possui um equipe médica pronta para ajuda você, mulher, a cuidar da sua saúde de forma completa. Conheça nossos serviços!