Durante a história da humanidade, homens e mulheres nem sempre estavam dispostos e interessados em ter filhos. Por isso, desde os primórdios, os seres humanos buscam formas de prevenir gestações não planejadas.

Por muito tempo o conhecimento referente à forma como a mulher engravidava não era tão claro e os seres humanos faziam uso de métodos com eficácia duvidosa e pouco estudados.

Os egípcios foram reconhecidos como a primeira civilização a utilizar métodos para evitar a gravidez. Entre os mais utilizados na época constavam esponjas ou tampões vaginais embebidos em substâncias que neutralizavam os espermatozoides.

Na China, a ingestão de mercúrio aquecido era indicada para a mulher que queria evitar a concepção ou provocar o aborto. Entretanto, hoje essa prática, além de ser considerada altamente perigosa e tóxica, pode levá-la à morte.

Na Inglaterra do século XVI, durante o reinado do rei Henrique IV, foi idealizado um tipo de preservativo feito de intestino de carneiro para se bloquear a saída dos espermatozoides e evitar o crescimento no número de príncipes para a monarquia.

Somente em 1901, a primeira camisinha com reservatório para o esperma apareceu nos Estados Unidos. No entanto, as camisinhas de látex adquiriram popularidade apenas a partir da década de 30. 

A pílula anticoncepcional, conhecida como mãe da Revolução Sexual, também foi descoberta nos Estados Unidos. Através dela, pela primeira vez, as mulheres passaram a deter o controle sobre a possibilidade de engravidar, o que proporcionou a elas mais liberdade sobre o próprio corpo.

Hoje em dia, com o avanço da ciência e da medicina, existem vários métodos contraceptivos disponíveis para uso feminino. Apesar da enorme variedade, cabe ressaltar que apenas a camisinha feminina e masculina são capazes de evitar, além de uma gravidez indesejada, as doenças sexualmente transmissíveis.

Confira a seguir os 6 principais métodos utilizados pelas mulheres para evitar uma gravidez indesejada, bem como as vantagens e desvantagens de cada um deles:

Pílula anticoncepcional

O anticoncepcional oral, também conhecido como pílula anticoncepcional, é o método mais utilizado pelas mulheres para evitar a gravidez. O comprimido possui hormônios que são semelhantes àqueles produzidos pelos ovários, fazendo com que a ovulação não ocorra e não exista um óvulo pronto para ser fecundado.

Os tipos de anticoncepcional oral existentes são a pílula combinada, que contém estrogênio e progesterona, e a minipílula, que tem apenas progesterona.

Além de ajudar a prevenir a gravidez, a pílula também pode ser usada para diminuir os sintomas de TPM, reduzir o fluxo menstrual e a dor durante a menstruação. Também pode ser útil para regular o ciclo menstrual, melhorar a acne e ajudar a evitar a doença inflamatória pélvica, cistos ou câncer do ovário.

Por outro lado, existem algumas desvantagens do uso da pílula. Uma delas é que, para que o medicamento funcione corretamente, a mulher precisa estar sempre atenta para tomá-la no mesmo horário, todos os dias, sem que haja esquecimento.

Outra desvantagem é que mulheres com mais de 35 anos, obesas, fumantes e sedentárias têm mais chances de desenvolver doença tromboembólica com o uso da pílula. A progesterona, hormônio contido nas pílulas, também pode causas retenção de líquido e inchaço.

Dispositivo intrauterino (DIU)

é um método contraceptivo constituído por um dispositivo atóxico para o organismo, geralmente tem forma de T, que é recoberto por cobre e fica dentro da cavidade do útero após inserção por um ginecologista.

O DIU pode permanecer no corpo da mulher durante cerca de 5 a 10 anos mantendo a sua eficácia.

Existem dois principais tipos de DIU: de cobre e os hormonais. O primeiro tem sido a escolha de mulheres que não querem ou não podem utilizar hormônios e funciona por meio de ação iônica. O cobre cria um ambiente hostil para o espermatozoide, impedindo que ele se encontre com o óvulo.

Uma vez que o DIU de cobre não envolve o uso de hormônios, geralmente tem menos efeitos colaterais, como alterações de humor, peso ou diminuição da libido. Ele ainda pode ser utilizado em qualquer idade, por cerca de 10 anos e não interfere na amamentação.

A desvantagem é que o DIU de cobre pode aumentar o fluxo menstrual em algumas mulheres e aumentar também a intensidade das cólicas.

Já o DIU hormonal é revestido por um material que libera pequenas quantidades de progesterona diretamente dentro do útero, em pequenas doses, ao longo de 5 anos.

Este tipo de DIU (também chamado de SIU – sistema intra-uterino) previne a gravidez por dois mecanismos: impede a liberação do óvulo e espessa o muco cervical, não permitindo a subida do espermatozoide.

Ao contrário do dispositivo com cobre, o DIU hormonal tende a reduzir a intensidade do fluxo menstrual e, muitas vezes, pode até deixar a mulher sem sangramento menstrual durante o tempo de uso. O dispositivo também ajuda a controlar as cólicas menstruais.

Apesar da absorção da progesterona ser baixa com o DIU hormonal, a mulher pode ter dores nas mamas, agravamento da acne e leve aumento de peso. Outro ponto é o prazo de validade menor, uma vez que o DIU hormonal precisa ser trocado com 5 anos.

Camisinha feminina

A camisinha feminina é um método contraceptivo que atua não somente para evitar a gravidez indesejada, como também para proteger o casal contra infecções sexualmente transmissíveis como como HPV, sífilis ou HIV.

O acessório tem cerca de 15 centímetros de comprimento, deve ser utilizado na hora da relação sexual e é formada por 2 anéis de diferentes tamanhos que são unidos formando uma espécie de tubo.

O lado do anel mais estreito da camisinha precisa ficar no interior da vagina, e é fechado impedindo a passagem do espermatozoides para o útero, protegendo a mulher das secreções masculinas.

Para tirar a camisinha, depois da relação, deve-se segurar e rodar o anel maior que ficou fora da vagina, de forma a não deixar que as secreções saiam e depois deve-se puxar a camisinha para fora. 

A camisinha feminina possui algumas vantagens. Entre elas: não apresenta hormônios (para quem não pode ou não quer usar métodos hormonais), não apresenta contraindicações; não causa alergia (diferente do látex da camisinha masculina, o poliuretano da camisinha feminina não causa reação alérgica) e pode ser usada com qualquer tipo de lubrificante.

A sua desvantagem é que pode se deslocar com a movimentação do pênis e, em raros os casos, pode romper, assim como a camisinha masculina.

Diafragma vaginal

O diafragma é um copinho de silicone em forma de cúpula que é inserido na vagina antes do ato sexual, cobrindo toda a entrada do colo do útero, para evitar a gravidez.

Normalmente, o diafragma é ainda mais eficaz se utilizado junto com um espermicida, que deve ser colocado na parte côncava do dispositivo antes da penetração.

Como o diafragma não contém ação hormonal, ele tem sido escolhido principalmente por mulheres que não desejam engravidar e têm restrições ao uso de hormônios (principalmente por pílulas anticoncepcionais).

Antes de começar a utilizar o diafragma como método contraceptivo, a mulher deve visitar o ginecologista para saber o tamanho que melhor se adaptará a ela. 

Para que o diafragma funciona corretamente, a mulher deve colocá-lo dentro da vagina cerca de 15 a 30 minutos antes da relação, e retirá-lo 12 horas após o ato sexual.

O cuidado com o anel é primordial para o seu funcionamento correto. Por isso, após a última relação sexual deve ser retirado, higienizado e armazenado corretamente. É um acessório que pode ser utilizado por até 3 anos.

O uso desse contraceptivo é indicado para mulheres que já tiveram relações sexuais e não apresentam infecção no colo do útero, da vagina e urinária. Mulheres virgens, com alergia a látex ou que tenham problema no colo do útero não podem usar o diafragma.

Anel vaginal

O anel vaginal é um tipo de método contraceptivo em forma anel com cerca de 5 centímetros, que é feito de silicone flexível e que é inserido na vagina, todos os meses, de forma a impedir a ovulação e a gestação, através da liberação gradual de hormônios.

Este método deve ser inserido na vagina no primeiro dia da menstruação e é utilizado durante 3 semanas seguidas. Depois desse tempo, deve ser retirado, e a mulher precisa fazer uma pausa de 1 semana antes de voltar a colocar um novo anel. 

A vantagem do anel vaginal é que só precisa ser aplicado uma vez ao mês. A própria mulher deve introduzi-lo na vagina, empurrando com o dedo até não senti-lo mais. 

Não é um método indicado para mulheres com doenças no fígado, câncer de mama, risco de trombose, suspeita de gravidez, fumantes, hipertensão, cefaleias com alterações neurológicas, diabetes, com alergia a um dos componentes e nem para aquelas que estão amamentando.

Anticoncepcional injetável

O anticoncepcional injetável é uma injeção com hormônios, funciona de forma semelhante à pílula contraceptiva e tem a função de impedir o processo de ovulação na mulher. Com isso, sem a liberação de óvulos, não ocorre a fecundação e, assim, é prevenida a gravidez.

A injeção deve ser aplicada via intramuscular e pode ser constituída apenas por progesterona ou ser uma combinação de progesterona e estrogênio.

Sua vantagem em relação à pílula é que a mulher não precisa se preocupar em lembrar de tomar o medicamento todos os dias. A injeção é aplicada a cada mês ou a cada 3 meses, de acordo com a orientação do ginecologista.

A desvantagem é que injeção anticoncepcional pode causar dor de cabeça, acne, alterações do humor, redução da densidade mineral óssea, vertigens e aumento de peso.

Apesar disso, possui muitos benefícios, como alívio das cólicas menstruais, melhora da anemia, redução dos sintomas associados à endometriose, à dor pélvica crônica e redução do câncer de endométrio.

Adesivo

É um método à base de hormônios que são liberados diretamente na pele, absorvidos e atingem a circulação sanguínea. Assim como as pílulas e injeções, também irá inibir a ovulação.

A mulher usa um adesivo por semana, ao longo de três semanas, e então fica uma semana sem usar. Geralmente ocorre menstruação nesse período de pausa.

Possui as mesmas contraindicações do anel vaginal e não é indicado para mulheres que pesem mais de 90 quilos. O adesivo não deve ser colocado em pele com ferimentos nem mucosas. Por vezes, pode causar um pouco de irritação local, discreta e geralmente bem tolerada.

Diferentemente das pílulas, a mulher não precisar lembrar de recorrer a este método todos os dias, pois ele só precisa ser aplicado uma vez na semana. Apesar disso, pode ter um custo mais alto quando comparado aos comprimidos.

Afinal, qual escolher?

Diversos fatores devem ser levados em conta pela mulher antes de escolher o seu método contraceptivo ideal, como suas condições de saúde e estilo de vida. Além do conhecimento sobre cada método contraceptivo, o ideal é que a mulher faça uma avaliação médica antes de fazer sua opção. 

Por isso, antes de optar por um método contraceptivo específico, é muito importante que a mulher consulte o seu ginecologista e discuta com ele qual é o melhor caminho a se seguir para prevenir a gravidez indesejada.

No EuSaúde, a equipe de ginecologistas está disponível para orientar cada paciente nesta escolha, respeitando suas particularidades, expectativas e, principalmente, sua condição de saúde.

Nosso serviço de telemedicina também colabora para que as mulheres possam tirar dúvidas, reportar possíveis efeitos colaterais de algum método que já usam e receber as devidas orientações, sem sair de casa, a qualquer momento.

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