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Gravidez tardia: riscos e cuidados para quem quer engravidar depois dos 35

Por: Equipe EuSaúde
Data: 07/06/2021

Ainda que engravidar seja o sonho de grande parte das mulheres, muitas delas vêm optando pela gravidez tardia, por ser mãe mais velhas. As transformações pelas quais o universo feminino passou nos últimos anos – incluindo índices mais altos de escolaridade, maior participação das mulheres no mercado de trabalho e a popularização dos métodos contraceptivos femininos – possibilitou que elas priorizassem o desenvolvimento pessoal e profissional à maternidade.

Se na década de 1960, acreditava-se que o ideal para dar à luz a faixa entre os 18 e os 25 anos, hoje em dia, dos 30 aos 35 anos, a medicina ainda considera uma época propícia para a gestação. Mulheres nessa faixa etária se sentem mais preparadas psicologicamente e financeiramente para serem mães. Outras, por sua vez, ainda preferem deixar a função para depois dos 40.

Dados do Sistema de Informações Sobre Nascidos Vivos do Ministério da Saúde mostram que as mulheres, de fato, estão adiando a maternidade e que a gravidez tardia é uma tendência: na última década, o número de mulheres que engravidou após os 35 anos cresceu 84% no Brasil e partos de mulheres acima dos 40 anos já representam entre 2 a 5% do total do país.

A gravidez tardia tem seus benefícios: ela pode significar a possibilidade do bebê chegar em um momento em que os pais têm um contexto profissional mais estável, com melhores condições financeiras e, quem sabe, um relacionamento amoroso estabelecido.

Apesar disso, existem alguns pontos negativos que devem ser levados em consideração a respeito da gravidez tardia, como a queda na fertilidade feminina com a diminuição da produção de óvulos e o aumento dos riscos para a saúde da mãe e do bebê.

Dificuldades e riscos da gravidez tardia

Mulheres com mais de 35 anos podem ter dificuldades para engravidar. Isso porque, conforme os anos passam, perdem quantia e qualidade de óvulos.

Estima-se que, ao nascer, a mulher tenha por volta de 7 milhões deles. Logo com a primeira menstruação esse número cai para 500 mil e chega a menos de 25 mil aos 42 anos. Além da queda na quantidade, a qualidade deles é comprometida após os 35, porque, ao longo do tempo, os óvulos sofrem consequências dos efeitos do ambiente, como poluição, radiação e medicações, entre outros.

Outros riscos que a gravidez tardia pode trazer são os da anormalidades cromossômicas, abortamento espontâneo, baixo peso ao nascer, sofrimento fetal, macrossomia, rotura prematura de membrana (RPM), mecônio intraparto, restrição do crescimento fetal, distocias, placenta prévia, pósdatismo, oligoidrâmnio e polidrâmnio, internação em UTI e óbito neonatal.

Acredita-se que isso se deva ao envelhecimento dos óvulos que se desenvolvem durante a vida embrionária e permanecem armazenados no ovário até a liberação, em uma ovulação mensal, como também à condição circulatória da mulher na idade avançada.

Cabe dizer também que, assim como acontece com as mulheres, o avanço na idade do homem também contribui para a piora na qualidade das células reprodutivas. Um estudo publicado na revista Nature em 2017, por exemplo, mostrou que, quanto mais velho for o pai, maior a chance de transmitir alterações no genoma para os filhos. 

Engravidar após os 35 anos aumenta o risco não só de problemas para o bebê, mas também de problemas maternos, como a pré-eclampsia (pressão alta) e diabetes gestacional. Inclusive, quanto mais velha for a mulher, mais suscetível ela fica a doenças crônicas como essas.

Alternativas e cuidados fundamentais na gravidez tardia

O congelamento de óvulos é indicado para mulheres que não podem ou não desejam uma gravidez em um futuro próximo. Trata-se de um procedimento que pode ser feito em qualquer idade, se houver óvulos em quantidade e qualidade. Porém, quanto mais jovem for a mulher, melhor será a qualidade dos óvulos coletados e maiores as chances de uma gravidez no futuro. 

Para quem quer engravidar depois dos 35 de forma natural, está encontrando dificuldades relacionadas à fertilidade ou a qualquer outro motivo e não congelou os óvulos anteriormente, os médicos podem recomendar algumas técnicas de reprodução assistida.

O coito programado é a orientação do melhor período do ciclo menstrual para o casal ter relações sexuais e conseguir a gestação. Ele pode ser em ciclo natural ou com medicamentos indutores da ovulação.

A inseminação uterina também pode ser uma opção. Nesse caso, o sêmen é tratado e os espermatozoides são selecionados em laboratório antes de serem inseridos diretamente no interior do útero da mulher. O objetivo é aproximar o espermatozoide do óvulo, facilitando a fertilização, mesmo que não haja certeza de que eles encontrarão

Já na fertilização in vitro (FIV), um dos procedimentos de reprodução assistida de maior sucesso, a mulher recebe gonadotrofinas (hormônios proteicos) de forma subcutânea para a estimulação do ovário. Depois, sob sedação, são coletados o máximo de óvulos maduros por um procedimento chamado aspiração folicular, feita por ultrassonografia transvaginal. Em laboratório, cada óvulo é colocado em uma cultura com milhares dos espermatozoides mais saudáveis do parceiro ou doador para que ocorra a fecundação espontânea. Os melhores embriões são transferidos para o útero da paciente.

É importante destacar que a mulher que opta por engravidar após os 35 anos necessita conhecer plenamente os fatores associados aos maiores riscos, de modo que possa buscar assistência adequada e planejar o nascimento.

Por mais que existam controvérsias quanto aos reais riscos materno-fetais nas gestações tardias, grande parcela dos especialistas concorda que, nesses casos, trata-se de uma gestação de risco e que necessita de cuidados pré-natais específicos.

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