Dia Mundial da Fibromialgia reforça importância do diagnóstico precoce

A fibromialgia é considerada uma das causas mais frequentes de idas ao reumatologista. A principal queixa dos pacientes é a dor crônica, em vários pontos do corpo, especialmente nos tendões e nas articulações. É uma dor diferente, onde não há lesão “detectável” no corpo, e ainda assim o individuo sente dor.

No Brasil, a doença está presente em cerca de 5% da população e atinge, em 90% dos casos, mulheres entre 35 e 50 anos, mas também pode ocorrer em crianças, adolescentes e idosos.

No dia 12 de maio comemora-se o Dia Mundial da Fibromialgia, data que busca divulgar informações sobre a doença e, principalmente, alertar para a importância do diagnóstico, que muitas vezes pode levar anos para ser feito.

O que é fibromialgia?

Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, a fibromialgia é uma síndrome dolorosa crônica caracterizada por amplificação da percepção da dor, desregulação da resposta ao estresse e associação a síndromes funcionais.

A dor da fibromialgia pode ser intensa e incapacitante, mas não provoca inflamações nem deformidades físicas.

Não é doença ocupacional e não leva à incapacidade permanente, mas, por ser uma síndrome dolorosa crônica, os pacientes estão sujeitos a limitações e até mesmo incapacidade temporária.

Por muito tempo acreditou-se que a dor que os pacientes com fibromialgia sentiam era consequência de alguma outra enfermidade e, por isso, estava sendo percebida de forma “exagerada” ou até mesmo sendo “fantasiada”.

Atualmente, não se discute mais se a dor do paciente é real ou não. Pesquisas que permitem ver o cérebro em funcionamento em tempo real confirmaram que pacientes com a doença realmente estão sentindo a dor que referem.

O que causa fibromialgia?

Apesar da origem da doença ainda ser desconhecida, as evidências científicas que temos até o momento sugerem que ela decorre de anormalidades hormonais, substâncias químicas cerebrais, e mudanças na forma como o SNC (Sistema Nervoso Central) processa a dor.

Seria como se o cérebro das pessoas com fibromialgia estivesse com um “botão de volume” desregulado, que ativasse todo o sistema nervoso para fazer a pessoa sentir mais dor. Desta maneira, nervos, medula e cérebro fazem que qualquer estímulo doloroso seja aumentado de intensidade.

Sabe-se também que os níveis de serotonina são mais baixos em quem tem a doença e que desequilíbrios hormonais, tensão e estresse podem estar envolvidos em seu aparecimento.

Quais os sintomas da fibromialgia?

O sintoma mais importante da fibromialgia é a dor difusa pelo corpo. Geralmente, o paciente tem dificuldade de definir quando começou a dor, se ela começou de maneira localizada que depois se generalizou ou que já começou no corpo todo. 

Além da dor no corpo, outros sintomas que costumam estar presentes em pacientes com fibromialgia são:

  • Dor intensa ao toque, devido ao aumento da sensibilidade;
  • Cansaço frequente;
  • Alterações do sono;
  • Sensibilidade durante a micção;
  • Cefaléia;
  • Enrijecimento muscular, principalmente ao acordar;
  • Problemas de memória e concentração;
  • Sensação de formigamento nas mãos e nos pés;
  • Sensação de pernas inquietas antes de dormir.

Cabe ressaltar também que a síndrome do intestino irritável, por exemplo, acontece em quase 60% dos pacientes com fibromialgia e caracteriza-se por dor abdominal e alteração do ritmo intestinal para mais ou para menos.

Como é feito o diagnóstico de fibromialgia?

Também de acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia, o diagnóstico da fibromialgia é clínico, ou seja, não existem exames para comprovar que ela está presente.

Se o médico fizer uma boa entrevista clínica, pode fazer o diagnóstico de fibromialgia na primeira consulta e descartar outros problemas.

Alguns dos critérios de diagnóstico da fibromialgia são:

a) Dor por mais de três meses em todo o corpo e

b) Presença de pontos dolorosos na musculatura (11 pontos, de 18 que estão pré-estabelecidos).

Existe tratamento para a fibromialgia?

O tratamento da fibromialgia é realizado através do emprego de medicamentos e de outras medidas não medicamentosas. Para resultados terapêuticos melhores, é fundamental a implementação de cuidados multidisciplinares.

Todo indivíduo acometido pela fibromialgia obrigatoriamente deve praticar alguma modalidade de atividade física. No entanto, o paciente deve respeitar seus limites físicos, pois ao excedê-los corre o risco de apresentar efeito contrário ao desejado, podendo agravar as dores e o cansaço.

Como a fibromialgia geralmente não melhora com o uso de analgésicos simples ou antiinflamatorios, frequentemente prescritos por médicos que não estão familiarizados com a doença, os especialistas costumam indicar antidepressivos, relaxantes musculares e os neuromoduladores.

Quando o paciente tem sintomas depressivos ou de ansiedade importantes pode-se tornar necessário o acompanhamento psicológico ou até psiquiátrico, dependendo da gravidade dos sintomas.

Pacientes que apresentam sintomas em outros órgãos como o intestino (cólon irritável), bexiga (cistite intersticial), cabeça (enxaqueca), às vezes necessitam de avaliações e acompanhamento de médicos de outras especialidades.

Alguns pacientes com fibromialgia também podem apresentar melhora clinica quando incluem acupuntura no tratamento integrado.

Você tem suspeita de fibromialgia? Faça uma consulta com nossos médicos e tenha um diagnóstico preciso o quanto antes!