Dificuldade de comunicação e comportamentos repetitivos são alguns sintomas que podem identificar o autismo.

Hoje, dia 02 de abril, é o Dia Mundial da Conscientização do Autismo. A Organização das Nações Unidas (ONU) definiu a data com o intuito de conscientizar a sociedade a respeito da luta pelos direitos daqueles que possuem diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA).

A Organização Mundial da Saúde (OMS), subordinada à ONU, estima que, em todo o mundo, uma em cada 160 crianças tem autismo. “Essa estimativa representa um valor médio e a prevalência relatada varia substancialmente entre os estudos. Algumas pesquisas bem controladas têm, no entanto, relatado números que são significativamente mais elevados.”.

Falar sobre o autismo é o primeiro passo para que os estereótipos a respeito do tema sejam eliminados progressivamente. Informar a sociedade sobre o espectro é fundamental para que diagnósticos sejam feitos o quanto antes e para que as pessoas autistas possam ter suporte médico adequado.

O conhecimento a respeito do autismo é igualmente importante para promover a plena participação de todas as pessoas autistas na sociedade, garantindo as condições necessárias para que elas possam exercer seus direitos e liberdades fundamentais.

Mas o que é o autismo?

O Transtorno do Espectro Autista é uma síndrome caracterizada por problemas na comunicação, na socialização e no comportamento, geralmente, diagnosticada entre os 2 e 3 anos de idade, e acomete mais o sexo masculino do que o feminino.

Em geral, o autismo se instala nos três primeiros anos de vida do indivíduo, quando os neurônios que coordenam a comunicação e os relacionamentos sociais deixam de formar as conexões necessárias.

O TEA engloba diferentes condições marcadas por perturbações do desenvolvimento neurológico com três características fundamentais, que podem manifestar-se em conjunto ou isoladamente.

São elas: dificuldade de comunicação por deficiência no domínio da linguagem, dificuldade ou mal-estar na socialização e padrão de comportamento restritivo e repetitivo.

Sintomas do autismo

Alguns dos sintomas e características mais comuns do TEA incluem:

  • Na interação social: dificuldade em manter contato visual com as outras pessoas, fazer amigos e expressar emoções.
  • Na comunicação: dificuldade em iniciar ou manter uma conversa, uso repetitivo da linguagem, comunicação em gestos ao invés de palavras.
  • No comportamento: ter padrões repetitivos de comportamentos, apresentar muitas “manias” e intenso interesse por algo específico, apego anormal a objetos, agressividade, automutilação, choro, gritos, hiperatividade, imitação involuntária dos movimentos de outra pessoa, impulsividade, irritabilidade, hipo ou hipersensibilidade a estímulos sensoriais.

Causas do autismo

O autismo pode ser causado por uma única alteração genética, por uma combinação de alterações genéticas, ou ainda por uma associação entre alterações genéticas e fatores ambientais.

As doenças genéticas mais comumente associadas ao autismo são a síndrome do cromossomo X-frágil, a esclerose tuberosa, as duplicações parciais do cromossomo 15 e a fenilcetonúria não tratada.

Famílias que já tenham tido algum integrante com autismo correm riscos maiores de ter outro posteriormente. Cientistas apontam que saber se a alteração foi herdada ou não pode nortear em relação ao prognóstico do espectro.

Suposições anteriores chegaram a sugerir uma ligação causal entre a vacina contra sarampo, caxumba e rubéola e o Transtorno do Espectro Autista.

Entretanto o mais amplo e completo estudo sobre o tema, realizado na Dinamarca, aponta que não há evidências de que essas vacinas infantis possam aumentar o risco de TEA.

Diagnóstico e tratamento

Não existem exames laboratoriais ou de imagem que diagnostiquem o autismo. Geralmente, os pais são os primeiros a notar algo diferente nas crianças autistas.

Em casos muito leves, no entanto, pode ser que os pais passem anos sem perceber algo anormal no filho, causando atraso para o início de uma educação especial.

O diagnóstico é feito clinicamente através de entrevista com um médico e histórico do paciente. Apesar de não haver cura para o Transtorno do Espectro Autista, é de grande importância se iniciar o tratamento precocemente, pois as possibilidade de melhorar a qualidade de vida da pessoa serão maiores. 

Também não existe um padrão de tratamento que possa ser aplicado em todos os portadores de TEA, pois cada paciente exige um tipo de acompanhamento específico e individualizado.

Todo o tratamento necessita da participação dos pais, dos familiares e de uma equipe profissional multidisciplinar, formada por médicos, psicólogos, pedagogos, entre outros.

Não existem medicamentos capazes de curar os principais sintomas do autismo, mas, muitas vezes, são usados remédios para tratar questões comportamentais ou emocionais dos pacientes, como agressividade, ansiedade e problemas de atenção.

A psicoterapia é uma das especialidades efetivas no tratamento do autismo. Ela será essencial para estimular os comportamentos sociais, como contato visual e comunicação funcional; incentivar os comportamentos acadêmicos como a leitura e escrita; reforçar as atividades da vida diária, como higiene pessoal; além de reduzir os comportamentos problemáticos, como agressões, autolesões e fugas.

A fonoaudiologia também é muito útil para ajudar no processo de desenvolvimento da linguagem da pessoa com autismo. O profissional deve avaliar quais são os recursos linguísticos e comunicativos utilizados pela criança e construir um plano de tratamento para desenvolver as áreas que apresentam dificuldades.

A fisioterapia é uma outra especialidade que pode ser benéfica no tratamento. Ela atua diretamente nas habilidades motoras da pessoa autista, incentivando o indivíduo a desenvolver e aprimorar funções básicas, como andar, sentar, ficar de pé, jogar, rolar, tocar objetos, engatinhar e se locomover de maneira geral.

Com o tratamento correto e com o apoio familiar muitos dos sintomas do autismo podem melhorar, mesmo que algumas pessoas permaneçam com alguns deles durante toda a vida.

Inclusão

Lei Berenice Piana (12.764/12) criou a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, que determina o direito dos autistas a um diagnóstico precoce, tratamento, terapias e medicamento pelo Sistema Único de Saúde.

Essa medida permitiu abrigar as pessoas com TEA nas leis específicas de pessoas com deficiência, como o Estatuto da Pessoa com Deficiência (13.146/15), visando garantir com mais efetividade os direitos desses indivíduos.

Apesar da existência das leis citadas acima, ainda existem muitos desafios para a inclusão da pessoa com autismo. Faltam profissionais especializados e prontos para tender pacientes autistas na rede pública, e a maioria das escolas não está preparada para receber e integrar uma criança autista.

A inclusão não é simples e não se torna realidade apenas com a aprovação de leis. Para que as pessoas autistas tenham as mesmas condições de estudos, trabalho e socialização de uma pessoa sem o TEA, muito ainda deve ser feito.

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