Hábitos simples, como dançar e abraçar, podem potencializar a produção de neurotransmissores que te deixam “de bem com a vida”.

Hoje, dia 20 de março, é comemorado o Dia Internacional da Felicidade, mas não é de hoje que filósofos, pensadores e artistas buscam explicar o que é exatamente a felicidade. De várias maneiras, pessoas de todas as épocas e de todas as regiões do mundo, tentaram – e continuam tentando incessantemente – entender o que é este sentimento tão especial.

Sócrates, por exemplo, que viveu 450 a.C, afirmava que a felicidade “não se encontra na busca por mais – mas sim no desenvolvimento da capacidade para desfrutar de menos”. De acordo com ele, o bem-estar provinha do sucesso privado e interno que as pessoas conferem a si mesmas.

Já Nietzche, filósofo do século XIX, por sua vez, acreditava que “a felicidade é o sentimento que o poder aumenta, e sinal de que a resistência foi ultrapassada”. Ou seja, para ele, a felicidade dependia do controle que se tem sobre o que rodeia o indivíduo.

Atualmente, além de pensadores e artistas, médicos e cientistas também se dedicam a explicar tecnicamente como e porque nos sentimos felizes. O seu objetivo é entender a felicidade como um processo biológico, que estamos sujeitos a passar em diversos momentos da vida.

Como a ciência explica

Estudiosos da saúde apontam que existem quatro substâncias químicas naturais em nossos corpos geralmente definidas como o “quarteto da felicidade”: endorfina, serotonina, dopamina e ocitocina.

Esses neurotransmissores atuam como mensageiros químicos, transportando, estimulando e equilibrando os sinais entre neurônios, células nervosas e outras células do corpo.

Após a liberação, o neurotransmissor atravessa a lacuna entre as células e se liga a outro neurônio, estimulando ou inibindo o neurônio receptor, de acordo com a sua característica.

Além das sensações, eles podem controlar uma ampla variedade de funções do nosso corpo, incluindo frequência cardíaca, sono e apetite.

A pesquisadora Loretta Breuning, autora do livro Habits of a Happy Brain (“Hábitos de um Cérebro Feliz”), explica que “quando o seu cérebro emite um desses agentes químicos (endorfina, serotonina, dopamina e ocitocina.), você se sente bem”.

“Seria bom que surgissem o tempo todo, mas não funcionam assim”, diz a professora da Universidade Estadual da Califórnia (EUA). Segundo ela, “cada substância da felicidade tem um trabalho especial para fazer e se apaga assim que o trabalho é feito.”

Os cientistas ainda não sabem exatamente como os neurotransmissores surgem no cérebro, mas conseguem relacionar picos dessas substâncias com atividades que fazemos no dia a dia.

O desequilíbrio dessas substância também não é nada bom. O corpo pode reagir com insônia, estresse, ganho de peso e, é claro, mau humor. Além disso, a ausência desses neurotransmissores no corpo também está associada a doenças como Parkinson e depressão.

Endorfina

A endorfina é um hormônio neurotransmissor produzido pela hipófise e se espalha por todo o corpo através da corrente sanguínea.

É uma substância que tem uma potente ação analgésica, diminuindo dores articulares e musculares. Ao ser liberada, ela também estimula a sensação de bem-estar, conforto, melhor estado de humor e alegria.

A prática de atividades físicas é uma forma potente de liberação de endorfina.  Muitas pessoas relatam ser “viciadas” na rotina de exercícios justamente por causa dessa sensação de prazer e bem-estar constantes que a endorfina propicia.

Vale lembrar que a endorfina também é estimulada por alimentos picantes ricos em capsaicina, como pimenta-malagueta, pimenta-dedo-de-moça, pimenta-caiena, jalapeño e chili.

Serotonina

Segundo os cientistas, a serotonina está relacionada ao emocional e pode ser liberada quando você se sente significativo ou importante.

Os picos de serotonina ocorrem em atividades prazerosas – como sexo ou comer algo que você adora – e trazem sensação de felicidade e bem-estar.

O sentimento de solidão e até mesmo a depressão são respostas químicas à falta da serotonina no organismo. Por isso, os Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS) são muitas vezes prescritos para tratar a doença.

A característica em comum que une os membros desse grupo de medicamentos é a sua capacidade de inibir o transporte da serotonina para dentro do neurônio e, assim, permitir que uma quantidade maior dela permaneça agindo no nosso cérebro.

Atitudes simples, como recordar momentos felizes e manter contato com amigos queridos, são boas estratégias para estimular a produção da serotonina.

Para aumentar a serotonina também é importante ter uma alimentação rica em triptofano. Invista em alimentos como queijo, salmão, ovos, banana, abacate, nozes, castanhas e cacau, por exemplo

Os neurocientistas descrevem três outras maneiras de elevar os níveis de serotonina no sangue: tomar sol, receber massagens e praticar exercícios aeróbicos, como corrida, ciclismo e dança.

Dopamina

Sabe-se que esse neurotransmissor está envolvido com processos como controle motor, cognição, compensação, prazer, humor e algumas funções endócrinas.

A dopamina é também conhecida por sua participação no ciclo de recompensa, estimulando nosso cérebro a completar tarefas. Essa substância química é acionada quando se dá o primeiro passo rumo a um objetivo e também quando a meta é cumprida.

“Baixos níveis de dopamina fazem que pessoas e outros animais sejam menos propensos a trabalhar para um propósito”, afirmou John Salamone, professor de Psicologia na Universidade de Connecticut (EUA), em estudo sobre efeitos da dopamina no cérebro publicado em 2012 na revista Neuron.

Nesse sentido, a melhor maneira de elevar a dopamina é definir metas de curto prazo ou dividir objetivos de longo prazo em metas mais rápidas. Para estimular ainda mais, comemore sempre que cumprir as metas estabelecidas!

Ocitocina

Esse hormônio neurotransmissor é apelidado de “hormônio do amor”, por ser liberada quando estamos na presença do parceiro ou de pessoas com quem temos vínculos afetivos.

Acredita-se também que a ocitocina tem função na melhora da libido e do desempenho sexual, agindo em conjunto com a testosterona, no homem, e a progesterona, na mulher.

Como é uma substância também ligada à filiação, há um pico desse hormônio quando a mãe tem um filho e na lactação, por exemplo. Devido a sua estimulação para a contração do útero, de forma ritmada, a ocitocina naturalmente produzida pelo corpo ajuda o trabalho de parto.

Dar ou receber um presente são formas de aumentar os níveis de ocitocina no corpo, assim como abraçar alguém por mais de 30 segundos.

Como a ocitocina tem papel na melhora do convívio social, na percepção das expressões emocionais e sensibilidade, ela também parece ter efeitos positivos para ajudar no tratamento de pacientes com autismo e esquizofrenia, em casos indicados pelo psiquiatra. 

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