Seja em forma de gotinhas ou através das agulhas, as vacinas são extremamente necessárias para a saúde, pois tratam-se de agentes imunizadores usados na prevenção de uma série de doenças. Na infância, na adolescência, na idade adulta e na terceira idade, os imunizantes são essenciais – e até mesmo uma obrigação social – para evitar a contaminação e a proliferação de enfermidades causadas por certos vírus e bactérias.

Se as vacinas já eram fundamentais para combater doenças como a gripe, hepatite, poliomielite, febre amarela e tantas outras, agora ela é a arma mais poderosa para combater uma das maiores pandemias de todos os tempos. Através das vacinas contra o novo coronavírus, a humanidade encontrou a confiança na ciência para que a vida volte ao normal.

Infectologista do EuSaúde, o Dr. Luís Gustavo Santos (CRM: 54248) reforça a importância de celebrar a vacinação, os inúmeros benefícios trazidos por ela e de incentivá-la, principalmente no momento atual.

“Acho que nada mais oportuno do que este 09 de junho – Dia Nacional da Imunização – para lembrar a todos os brasileiros a necessidade de vacinarem-se, de acordo com o PNI (Programa Nacional de Imunização). Lembrando que as vacinas, de um modo geral, são seguras e usadas mundialmente há mais de 01 século”, afirma.

Histórico e funcionamento das vacinas

Os primeiros vestígios do uso de vacinas, com a introdução de versões atenuadas de vírus no corpo das pessoas, estão relacionados ao combate à varíola no século 10, na China. Porém, a teoria era aplicada de forma bem diferente da que conhecemos hoje em dia: os chineses trituravam cascas de feridas provocadas pela doença e assopravam o pó, com o vírus morto, sobre o rosto das pessoas.

O termo “vacina” surgiu pela primeira vez em 1798, graças a uma experiência do médico e cientista inglês Edward Jenner. Ele ouviu relatos de que trabalhadores da zona rural não pegavam varíola, pois já haviam tido a varíola bovina, de menor impacto no corpo humano. Ele então introduziu os dois vírus em um garoto de oito anos e percebeu que o rumor tinha de fato uma base científica. A palavra “vacina” deriva justamente de Variolae vaccinae, nome científico dado à varíola bovina.

Atualmente, as vacinas são elaboradas com mesma lógica de anos atrás, porém através de processos científicos mais tecnológicos e seguros. São produzidas utilizando-se o próprio organismo causador da doença ou seus derivados, que serão responsáveis por desencadear no corpo humano uma resposta imunológica.

“As vacinas funcionam estimulando a produção de anticorpos específicos para determinada doença, através da inoculação (introdução) de “partes” de determinado agressor – seja ele vírus ou bactéria – no corpo do indivíduo a ser protegido. Isso induz o receptor a produzir tais anticorpos”, explica o médico Luís Gustavo.

Com a produção de anticorpos a todo vapor, e, graças à memória imunológica, quando o indivíduo tiver contato novamente com o agente causador da doença, seus anticorpos serão produzidos rapidamente, evitando, desse modo, que fique doente.

Vacinas contra a Covid

O novo coronavírus, causador da Covid-19, apesar de ser aproximadamente 250 vezes menor que um grão de areia, conseguiu perturbar o modo de vida de todo o planeta. Mais de 17 milhões de brasileiros se infectaram pelo vírus, que teve o primeiro caso registrado em Wuhan, na China, no final de 2019.

Com transmissão através de secreções respiratórias, que podem ser levadas à boca através das mãos, o novo coronavírus é um vírus para qual, até poucos meses atrás, não havia vacina. Por isso, muitas pessoas não só contraíram a Covid, como também vieram a óbito devido à uma síndrome respiratória causada por ela – a Síndrome Respiratória Aguda Grave.

Na corrida para salvar vidas e frear a disseminação do novo coronavírus, cientistas do mundo todo trabalharam para desenvolver imunizantes contra a doença, que já estão sendo aplicados em diversos países. Coronavc, Moderna, AstraZeneca/Oxford, Sputnik V e Pfizer são alguns dos produtos já desenvolvidos para proteger a população da doença.

Apesar das vacinas estarem sendo produzidas em diversas nações e possuírem marcas distintas, elas têm, até então, três técnicas básicas de desenvolvimento, como explica o especialista do EuSaúde.

  • Virus inativado: o vírus é cultivado num meio de cultura e depois inativado, seja por calor, seja por algum produto químico determinado. É o caso da CoronaVac.
  • Vetor viral: tecnologia em que se usa um outro vírus modificado, sem capacidade de replicação – geralmente o adenovírus, responsável pelo resfriado comum – e que carrega material genético do SarsCoV2 para produção de anticorpos. São exemplos: Oxford/AstraZeneca, Janssen/Johnson & Johnson.
  • mRNA: é uma tecnologia relativamente nova no Brasil, em que os imunizantes são criados a partir de sequências de RNA por meio de engenharia genética. São exemplos: Moderna e Pfizer.

Vacinas já!

Hoje, no Brasil, somando a primeira e a segunda doses, foram 74.257.268 vacinas aplicadas. Isso significa que 11% da população já tomaram as duas doses do imunizante contra a Covid. Apesar disso, o Dr. Luís Gustavo é criterioso ao afirmar que o país ainda precisa caminhar muito na quantidade de vacinados para ter um pouco mais de segurança.

“Há muitas discrepâncias entre países no percentual de vacinados com a segunda dose, que é necessária para a imunidade estudada na maioria das vacinas. A imunidade coletiva, ou “de rebanho”, só é atingida quando, pelo menos, aproximadamente 60% de uma população esteja imunizada de forma plena”, aponta.

Com a vacinação ainda lenta e com o surgimento de novas variantes, alguns especialistas falam da chegada de uma terceira onda em junho ainda mais letal do que as duas primeiras. Embora a média de mortes permaneça estável, o número de casos tende a subir em quase todo o país nas últimas semanas, e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) advertiu que a “flexibilização” das medidas é o que levará a “uma intensificação da pandemia” em breve.

Apesar das previsões árduas, as vacinas contra a Covid são a esperança para que a pandemia seja controlada em um futuro próximo e para que a vida possa voltar a ser como antes. Enquanto isso não é possível, o Dr. Luís Gustavo enfatiza que as medidas de prevenção devem ser seguidas à risca. “Máscara, álcool em gel e distanciamento social ainda são importantes e não podem ser deixados de lado”, conclui.