A doença atinge 4,4% da população mundial, mas, no Brasil, esse percentual sobe para 5,8%, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Sentir-se desanimado e sem energia é algo que já aconteceu com grande parte das pessoas. É difícil encontrar alguém que nunca teve dias “cinzas”, quando a disposição está em baixa e a única vontade é ficar na cama.

Quando o sentimento de tristeza e desinteresse pela vida se tornam uma constante, no entanto, é importante ficar atento, pois pode ser um sintoma de depressão, um dos transtornos mentais mais comuns na atualidade.

Falar sobre a doença ainda pode ser tabu para muita gente, visto que não é raro escutar que depressão é “frescura” ou “falta do que fazer”. Muitas pessoas, intimidadas por falas como essas, passam anos sofrendo sozinhas e, em casos muito avançados, podem até acabar tirando a própria vida.

Dados da Organização Mundial de Saúde relatam que o Brasil é o segundo país das Américas com maior número de pessoas depressivas, equivalentes a 5,8% da população, atrás dos Estados Unidos, com 5,9%. 

No contexto de pandemia, é ainda mais importante estar atento aos sinais e sintomas. O isolamento social, os altos índices de desemprego e a falta de perspectivas gerais para o futuro podem ser gatilhos para quem já tem uma pré-disposição a desenvolver a depressão.

Diferença entre tristeza e depressão

A tristeza é um dos sentimentos fundamentais que todo ser humano é capaz de sentir, e como qualquer outro sentimento, ela é uma resposta a algo que acontece em nossa vida ou ao nosso redor. Sentir tristeza é importante, pois significa que não estamos simplesmente apáticos à vida ao nosso redor.

Uma pessoa pode se sentir triste por diversos motivos: pela perda de alguém querido, fim de um relacionamento, perda de um emprego, conflitos familiares, insatisfação com as conquistas pessoais, entre outros inúmeros motivos.

O sentimento de tristeza, assim, é a uma reação apropriada diante de algum evento e não dura mais do que horas ou dias. Na depressão, no entanto, a tristeza é um sentimento constante, que se manifesta pela maior parte do dia, quase diariamente, e por um período mínimo de duas semanas.

A tristeza não impede um indivíduo de seguir com as suas atividades do dia a dia. A depressão, por sua vez, pode ser incapacitante, afastando os portadores da doença da sua rotina que antes era prazerosa e das pessoas com quem antes gostava de conviver.

O que causa a depressão?

Há uma série de evidências que mostram alterações químicas no cérebro do indivíduo deprimido, principalmente com relação aos neurotransmissores (serotonina, noradrenalina e, em menor proporção, dopamina), substâncias que transmitem impulsos nervosos entre as células.

A doença tem componentes genéticos que fazem com que descendentes de deprimidos tenham mais chance de desenvolver o transtorno ao longo da vida, mas ter essa predisposição genética não implica que você desenvolverá a doença obrigatoriamente.

A depressão também pode estar relacionada a fatores como personalidade do indivíduo, acontecimentos estressores ambientais e traumas, como abuso sexual ou emocional, que tendem a aumentar a vulnerabilidade psicológica.

É importante destacar também que aproximadamente 30% das pessoas com vícios em substâncias químicas, como cigarro, álcool ou outras drogas apresentam quadros de depressão.

Sintomas da depressão

Além do estado deprimido e falta de interesse e prazer diminuídos para realizar a maioria das atividades, são sintomas emocionais e físicos da depressão:

  • Perda ou aumento de apetite
  • Alto grau de pessimismo
  • Indecisão
  • Insegurança
  • Insônia ou sonolência excessiva
  • Esquecimento
  • Ansiedade
  • Angústia
  • Problemas psicomotores (agitação ou apatia psicomotora)
  • Fadiga ou perda de energia constante
  • Culpa excessiva (sentimento permanente de culpa e inutilidade)
  • Dificuldade de concentração ou raciocínio mais lento
  • Ideias suicidas
  • Baixa autoestima
  • Alteração da libido
  • Dores de barriga
  • Azia
  • Dores de cabeça
  • Pressão no peito
  • Queda da imunidade

Diagnóstico e tratamento

Caso uma pessoa esteja mais triste que o normal, se sentindo desanimada e sem motivação para realizar atividades que antes faziam parte do seu dia a dia, pode ser interessante e importante que ela procure sua equipe de saúde.

O diagnóstico é feito pelo médico com base nos sintomas apresentados, em como a pessoa se apresenta fisicamente e emocionalmente no momento e em uma breve análise do seu histórico de vida e familiar.

Caso o profissional identifique que o paciente está mesmo com depressão, ele ainda classificará a doença como leve, moderada ou grave e, a partir dessa análise, indicará o melhor tratamento.

Os quadros leves costumam responder bem ao tratamento psicoterápico, enquanto para os mais graves a indicação é o uso de antidepressivos, que têm o objetivo de tirar a pessoa da crise. A combinação da psicoterapia e de medicamentos é a que traz melhores resultados na depressão.

O avanço da medicina e da ciência possibilitaram o surgimento de diversos tipos de antidepressivos, com diferentes mecanismos de ação, que funcionam com excelência e não causam dependência. O médico especialista será o responsável por analisar o caso e indicar o melhor fármaco.

Em geral, os antidepressivos levam de uma a quatro semanas para funcionar, e podem gerar alguns efeitos colaterais, como constipação, boca seca, problemas sexuais, ganho de peso, náuseas, sonolência ou insônia. Eles podem ser administrados com ajustes na dose, trocas ou associações para um maior conforto do usuário.

Alguns pacientes também podem precisar de tratamento de manutenção ou preventivo com as medicações, com o objetivo de evitar o aparecimento de novos episódios de depressão.

Além disso, vale ressaltar que a atividade física é complementar ao tratamento de um transtorno depressivo. Atividades aeróbicas, como corrida ou dança, por exemplo, estimulam a produção serotonina e dopamina, dois outros neurotransmissores cujas quantidades no cérebro podem ajudar a aliviar os sintomas da depressão.

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