Os médicos do EuSaúde Fillipe Loures e Ricardo Cabral fazem uma análise crítica ao estudo "Pediatric SARS-CoV-2: Clinical Presentation, Infectivity and Immune Responses"

Artigo: Carga viral em crianças e transmissão da Covid-19

Por: Junia Brasil
Data: 11/09/2020

Análise crítica do estudo “Pediatric SARS-CoV-2: Clinical Presentation, Infectivity, and Immune Responses”

Por Dr. Fillipe Loures e Dr. Ricardo Cabral – médicos da Equipe EuSaúde

www.eusaude.com.br

No dia 19 de agosto de 2020, o The Journal of Pediatrics publicou um estudo conduzido por pesquisadores do Hospital Geral de Massachusetts, intitulado Pediatric SARS-CoV-2: Clinical Presentation, Infectivity, and Immune Responses. Os resultados do estudo foram amplamente divulgados por veículos de imprensa brasileiros, em alguns casos informando conclusões que não são passíveis de serem obtidas a partir do estudo em questão.

Os pesquisadores avaliaram a carga viral em crianças com suspeita de síndrome respiratória aguda grave por coronavírus 2 (SARS-CoV-2) ou com síndrome inflamatória multissistêmica, atendidas no Hospital Geral de Massachusetts. Foi utilizado o método de PCR para identificação da presença de RNA viral. Das 192 crianças incluídas no estudo, 50 tinham menos de 4 anos de idade, entre as quais em apenas 7 (14%) foi confirmada a presença de RNA viral pelo método PCR. As conclusões possíveis para esse estudo devem ser limitadas à carga viral ou a outros parâmetros estudados, bem como as relações entre eles. Não há elementos técnicos e científicos que suportem a afirmação de que essa elevada carga viral se traduz em maior transmissibilidade da doença em uma eventual retomada das atividades escolares no modo presencial.

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Vemos, portanto, a ciência novamente nos trazendo questões de difícil solução! Explicando o estudo, ficou dito que as crianças têm uma carga de vírus superior aos adultos, mesmo não estando expostos a adoecer com a mesma gravidade. Faz sentido? Do ponto de vista clínico, seria de se esperar que quem tem maiores gravidades ao se contaminar, teria também maiores cargas de vírus, e maior potencial de contaminar outras pessoas. Ocorre que as crianças do estudo foram testadas logo no início dos sintomas (momento em que a multiplicação do vírus é mais intensa, o que se traduz em maior carga viral) e comparadas a adultos em fases mais adiantadas da doença, quando se espera uma carga viral mais baixa, a despeito do quadro clínico desfavorável, o que pode ser justificado pelo processo inflamatório e não necessariamente pela presença de grande quantidade de vírus.  Como temos tanto a aprender sobre esse novo vírus, devemos aguardar novas publicações científicas que certamente elucidarão pontos ainda controversos. Ainda mais recentemente, em 23 de agosto de 2020, o governo britânico publicou um estudo com um milhão de alunos que retornaram retorno às aulas em junho, em que se identificou que as fontes mais prováveis de contaminação, segundo os pesquisadores, são os professores e os pais. “Apenas 0,01% das pré-escolas e escolas primárias tiveram um surto, todos os quais foram contidos com sucesso e 70 crianças e 128 funcionários foram afetados. No mesmo período, houve 25.470 casos registrados na Inglaterra como um todo”, constataram os pesquisadores.

Como os ingleses observaram, o retorno dos alunos ao ambiente escolar frequentando aulas presenciais, provoca pequeno impacto de saúde pública, além de viabilizar um bom nível de interação social e aprendizagem.

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