Cardiopatia congênita é uma doença do coração que surge ainda na fase de formação do bebê, no ventre da mãe. Das doenças congênitas, as cardiopatias estão entre as mais graves. Segundo o Ministério da Saúde, aproximadamente 30 mil crianças nascem no Brasil todos os anos com algum tipo de cardiopatia congênita.

O Dia Nacional de Conscientização da Cardiopatia Congênita, que ocorre todo dia 12 de junho, reforça a importância dos cuidados de saúde durante a gestação e nos primeiros meses de vida do bebê, bem como a necessidade do diagnóstico precoce.

O que são cardiopatias congênitas?

Cardiopatia congênita é qualquer anormalidade na estrutura ou função do coração que surge quando se forma o coração do bebê. Ocorre por uma alteração no desenvolvimento embrionário da estrutura cardíaca. 

O coração funciona da seguinte maneira: do lado direito, ele recebe o sangue venoso que seguirá para o pulmão para receber oxigênio; do lado direito, bombeia o sangue oxigenado para circular no organismo. 

As cardiopatias congênitas perturbam esse processo: em alguns casos, as cavidades se comunicam quando não deveriam; em outros, a comunicação que deveria haver não existe; em outros, há estreitamentos ou obstruções que interferem na chegada ou na saída do sangue. Existem, ainda, casos em que ocorre a combinação de duas ou mais alterações.

Principais tipos de cardiopatias congênitas

A cardiopatia congênita cianótica é mais grave, pois o defeito no coração pode afetar de forma significativa o fluxo sanguíneo e a capacidade de oxigenação do sangue, e, a depender da sua gravidade, pode provocar sintomas como palidez, coloração azul da pele, falta de ar, desmaios e até convulsões e morte.

As principais são:

  • Tetralogia de Fallot: impede o fluxo de sangue do coração para os pulmões, devido a uma combinação de 4 defeitos, caracterizados pelo estreitamento na valva que permite a passagem de sangue para os pulmões, comunicação entre os ventrículos cardíacos, alteração no posicionamento da aorta e hipertrofia do ventrículo direito;
  • Anomalia de Ebstein: dificulta o fluxo sanguíneo por anomalias na valva tricúspide, que comunica as câmaras do coração direito;
  • Atresia pulmonar: causa ausência de comunicação entre o coração direito e pulmões, impedindo que o sangue seja oxigenado corretamente.

Já a cardiopatia congênita acianótica é um tipo de cardiopatia que provoca alterações nem sempre tão graves no funcionamento cardíaco e a quantidade e intensidade dos sintomas depende da gravidade do defeito cardíaco, que vai desde ausência de sintomas, sintomas somente durante esforços, até a insuficiência cardíaca.

As principais são:

  • Comunicação interatrial (CIA): ocorre uma comunicação anormal entre os átrios cardíacos, que são as câmaras mais superiores;
  • Comunicação interventricular (CIV): há um defeito entre as paredes dos ventrículos, provocando uma comunicação inadequada destas câmaras e a mistura de sangue oxigenado e não oxigenado;
  • Persistência do canal arterial (PCA): este canal existe naturalmente no feto para ligar o ventrículo direito do coração à aorta, para que o sangue siga em direção à placenta e receba oxigênio, mas deve se fechar logo após o nascimento. A sua persistência pode provocar dificuldades na oxigenação do sangue do recém-nascido;
  • Defeito no septo atrioventricular (DSVA): provoca uma comunicação inadequada entre o átrio e o ventrículo, dificultando a função cardíaca.

Causas da cardiopatias congênitas

As causas incluem diversos fatores: herança genética, cardiopatias em gestações anteriores ou em parentesco de primeiro grau, uso de antidepressivos como o lítio, por exemplo, alguns tipos de anticonvulsivantes e uso de drogas ilícitas.

Doenças maternas a exemplo da diabetes, lúpus e infecções como a rubéola também podem impactar o momento da formação do coração fetal nas primeiras oito semanas de gravidez. 

A cardiopatia congênita também pode apresentar maior probabilidade de ocorrer em gestações de mulheres com mais de 40 anos, que apresentem diabetes ou um histórico familiar de ocorrência da doença.

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Sintomas das cardiopatias congênitas

As cardiopatias congênitas podem ser identificadas na fase intrauterina, no nascimento ou mais tarde – na infância, adolescência e até na vida adulta, dependendo do tipo da alteração no coração e dos seus reflexos. 

 Nos recém nascidos e bebês, os sintomas mais comuns são:

  • Cianose, que é a coloração roxa na ponta dos dedos ou nos lábios;
  • Suor excessivo;
  • Cansaço excessivo durante as mamadas;
  • Palidez e apatia;
  • Baixo peso e pouco apetite;
  • Respiração rápida e curta mesmo em repouso;
  • Irritação.

Nas crianças mais velhas ou adultos, os sintomas podem ser:

  • Coração acelerado e boca roxa após esforços;
  • Infecções respiratórias frequentes;
  • Cansaço fácil em relação as outras crianças da mesma idade;
  • Não desenvolve, nem ganha peso normalmente.

Diagnóstico das cardiopatias congênitas

As cardiopatias congênitas podem ser detectadas ainda na vida fetal. Durante a gestação, alguns exames facilitam a detecção da doença. O exame de ultrassom morfológico, realizado no segundo trimestre gestacional, fazem o rastreamento da má formação no coração da criança.

Quando há suspeita de alguma anormalidade é realizado um ecocardiograma do coração do feto, que permite avaliar e detectar detalhadamente anormalidades estruturais e da função cardíaca.

De acordo com o Ministério da Saúde, “o acompanhamento médico no pré-natal é importante para o diagnóstico, caso existam fatores que levantem a suspeita clínica de problemas cardíaco-fetais. O ultrassom morfológico também pode apontar indícios de cardiopatia. Tem ainda o teste de coraçãozinho realizado antes da alta hospitalar, entre 24 e 48 horas após o nascimento”.

No exame clínico em crianças maiores, o médico poderá observar fatores como o sopro cardíaco (associado ao defeito no coração) e solicitará exames como eletrocardiograma e também o ecocardiograma para confirmar o diagnóstico.

Tratamento das cardiopatias congênitas

O tratamento intrauterino pode ser necessário se a vida do feto estiver em risco devido às cardiopatias congênitas. Trata-se de um procedimento invasivo, uma vez que necessita fazer uma punção no próprio coração da criança através da barriga da mãe. Mas as chances de sucesso são muito altas e pode salvar a vida da criança.

Muitos casos demoram anos para serem diagnosticados e há crianças que evoluem para cura espontânea com o crescimento e desenvolvimento. No entanto, casos mais graves necessitam de intervenção e tratamento.

Na maioria das vezes, as cardiopatias congênitas exigem o uso de medicamentos para controlar os sintomas, como diuréticos, betabloqueadores, para regular a frequência cardíaca, e inotrópicos, para aumentar a intensidade dos batimentos.

Outra opção é a cirurgia, o cateterismo ou, nos casos mais graves, o transplante cardíaco. O cateterismo, por exemplo, veio revolucionar o tratamento das cardiopatias congênitas. Através dele, um cateter (tubo flexível e milimétrico) entra por um vaso sanguíneo do bebê, geralmente na virilha ou no pescoço, e segue até o coração, onde é capaz de diagnosticar e tratar diversos tipos de defeitos.

Buscando ajuda médica

Quanto mais cedo for feito o diagnóstico das cardiopatias congênitas, maiores as chances de sucesso no tratamento das doenças. É certo que cada paciente com cardiopatia congênita deve ser tratado de forma individualizada, levando-se em conta o paciente, sua família, a cardiopatia e os melhores métodos terapêuticos disponíveis.

Sendo assim, o modelo de atenção primária à saúde (APS) do EuSaúde é uma excelente opção para quem apresenta sintomas, desconfia de uma cardiopatia congênita e está em busca de um atendimento completo e humanizado.

A partir do primeiro contato, o paciente é acompanhado e cuidado por um equipe de APS. Isso significa que esse time será responsável por orientar o paciente em toda sua trajetória – desde o primeiro momento, até a solicitação dos exames, passando também pelo diagnóstico, tratamento e monitoramento da doença.

Cabe ressaltar também que, sempre que necessário, esse médico estará preparado para encaminhar o atendimento a um especialista, como um cardiologista, para uma avaliação complementar, devendo o paciente retornar posteriormente para seguir seu acompanhamento junto à equipe de APS.

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