De acordo com o Ministério da Saúde, as doenças cerebrovasculares estão no segundo lugar no topo de doenças que mais acometem vítimas com óbitos no mundo, perdendo a posição apenas para as doenças cardiovasculares. As pesquisas indicam que esta posição tende a se manter até o ano de 2030.

O acidente vascular cerebral, também conhecido como AVC, é uma dessas doenças. Trata-se da principal causa de incapacidade no mundo, pois aproximadamente 70% das pessoas não retorna ao trabalho após um AVC devido às sequelas e 50% ficam dependentes de outras pessoas no dia a dia.

Apesar de atingir com mais frequência indivíduos acima de 60 anos, o AVC pode ocorrer em qualquer idade. Segundo a Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares, o AVC vem crescendo cada vez mais entre os jovens, ocorrendo em 10% de pacientes com menos de 55 anos.

Até pouco tempo acreditava-se que os homens eram mais propensos a sofrerem AVC. Porém, um estudo recente, publicado no periódico Stroke, da American Heart Association, sugere que as mulheres com idades entre 25 e 44 anos têm mais chances de sofrer um derrame do que os homens na mesma faixa etária.

Dados assim comprovam a importância do check-up neurológico e a investigação da doença em pessoas mais jovens com fatores de risco, principalmente do sexo feminino.

O que é AVC?

Acidente Vascular Cerebral (AVC) pode ser definido como o surgimento de um déficit neurológico súbito causado por um problema nos vasos sanguíneos do sistema nervoso central. O AVC é dividido em 2 subtipos:

  • AVC isquêmico ( AVEi ): ocorre pela obstrução ou redução brusca do fluxo sanguíneo em uma artéria cerebral causando falta de circulação no seu território vascular. Ele é responsável por 85% dos casos de AVC.
  • AVC hemorrágico ( AVEh ): o acidente vascular cerebral hemorrágico é causado pela ruptura espontânea (não traumática) de um vaso, com vazamento de sangue para o interior do cérebro (hemorragia intracerebral), para o sistema ventricular (hemorragia intraventricular) e/ou espaço subaracnóideo (hemorragia subaracnóide). É também conhecido popularmente como “derrame”.
Reprodução Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares (www.sbdcv.org.br)

Fatores de risco de AVC em mulheres

Estar atenta aos sinais, sintomas e fatores de risco de um AVC é fundamental para a prevenção do acidente e de suas possíveis sequelas.

Existem fatores de risco de AVC que são comuns entre o sexo masculino e feminino, tais como:

  • Obesidade;
  • Sedentarismo,
  • Pressão alta;
  • Colesterol alto;
  • Consumo de álcool;
  • Tabagismo;
  • Uso de drogas ilícitas, como cocaína e metanfetamina;
  • Diabetes;
  • Uso de anticoagulantes;
  • Doenças cardiovasculares pré-existentes.

Entretanto, as mulheres apresentam fatores únicos que agravam ainda mais o risco de ocorrência de um AVC, tais como:

  • Gestação (a pressão arterial é um dos fatores que sofre bastante alteração durante este período, o que potencializa o risco de algumas doenças cardiovasculares, como o AVC);
  • Uso de anticoncepcionais (estudos apontam que o uso do anticoncepcional pode aumentar riscos de AVC isquêmico em duas vezes, em comparação a mulheres que não tomam a pílula);
  • Terapia de Reposição Hormonal (TRH);
  • Enxaqueca com aura (enxaqueca com duração entre 4 horas e 3 dias associada a outros sintomas relacionados ao sistema nervoso, como distúrbios na visão, na audição e nas capacidades motoras);
  • O fato de que mulheres vivem mais do que homens também se encaixa nos fatores que explicam uma maior ocorrência em mulheres do que homens, já que quanto mais velho maior a probabilidade de ter pressão alta e consequentemente um AVC.

Sintomas de AVC em mulheres

As mulheres precisam conhecer os sintomas de um AVC para agir rapidamente e, assim, diminuir o risco de sequelas mais graves.

Os sintomas mais comuns são:

  • Perda súbita da força muscular em um lado do corpo;
  • Formigamento/dormência em um lado do corpo;
  • Dificuldade súbita para falar e/ou compreender o que se fala;
  • Perda visual súbita, particularmente de um olho apenas;
  • Tontura/vertigem e/ou dificuldade no equilíbrio;
  • Dor de cabeça súbita, sem causa aparente.

A Escala SAMU é fácil de ser aplicada diante de uma pessoa com suspeita de AVC. Lembre-se de quatro palavras: sorriso, abraço, mensagem, urgente.

  • Sorriso

Peça para a pessoa dar um sorriso. Se a boca dela entortar, pode ser sinal de AVC.

  • Abraço

Peça para a pessoa te dar um abraço ou levantar os braços como se fosse abraçar. Se ela tiver dificuldade de levantar um dos braços ou um deles cair após ter sido levantado, pode ser sinal de AVC.

  • Mensagem.

Peça para a pessoa repetir uma frase ou mensagem. Se ela não compreender ou não conseguir repetir, pode ser sinal de AVC.

  • Urgente

Se identificar um ou mais desses sinais, chame uma ambulância ou vá a um pronto atendimento especializado o mais rápido possível.

Saber identificar os sintomas e conhecer a escala é importante, pois o atendimento imediato e adequado pode ter implicações positivas nas possíveis futuras sequelas.

Tratamento e reabilitação do AVC

Quando mais rapidamente o paciente chegar ao hospital e quanto maior a agilidade no diagnóstico e tratamento, possivelmente melhor será o desfecho. Tratado no tempo correto, o paciente que sofreu um AVC pode sair andando do hospital sem sequelas.

Em caso de acidente vascular cerebral isquêmico, o tratamento consiste em desobstruir o vaso cerebral afetado, normalizando a circulação cerebral. Quanto mais rápido for iniciado, maiores as chances de salvar os neurônios que estão em sofrimento, o que diminui muito ou até evita as sequelas do AVC.

Quando acontece o acidente vascular cerebral hemorrágico, o tratamento cirúrgico pode ser necessário para conter a hemorragia. Depois de estabilizada a situação, o tratamento se concentra na prevenção de um novo derrame e na recuperação das funções afetadas.

As áreas do cérebro afetadas pelo AVC podem se reconstituir aos poucos se receberem os estímulos certos. Por isso, programas de reabilitação são muito importantes, pois ajudam o paciente a retomar atividades diárias e funções que ficaram comprometidas.

Como as mulheres podem prevenir um AVC?

A prevenção ainda é o melhor remédio para se evitar um acidente vascular cerebral. Hábitos de vida que aumentam os riscos de acontecer um acidente vascular cerebral podem ser mudados, e problemas de saúde que aumentam os riscos podem ser evitados ou controlados.

Caso a mulher tenha hábitos que favoreçam um AVC, é interessante que ela reveja seus costumes e adote um estilo de vida mais saudável. Praticar atividade físicas regularmente, manter uma alimentação saudável e não fazer uso de drogas são os primeiros passos para diminuir os fatores de risco.

Mulheres que fazem uso de anticoncepcional, reposição hormonal ou que estejam grávidas devem estar sempre em contato com o seu ginecologista, reportando qualquer sintoma anormal e seguindo as recomendações do especialista.

É importante que mulheres em situação de risco em relação ao acidente vascular cerebral (hipertensas, obesas, diabéticas, com problemas cardíacos, entre outras) sejam sempre acompanhadas por um neurologista.

Através de exames que avaliem os riscos de um AVC e da anamnese com esses especialistas – histórico detalhado do paciente feito pelo médico durante a consulta -, a paciente poderá detectar sinais precoces de um possível acidente vascular cerebral e tomar medidas para evitá-lo.

Como o EuSaúde pode ajudar

EuSaúde conta com uma equipe de neurologistas prontos para atender e orientar quem têm fator de risco para AVC. Nossos médicos estão aptos a fazer diagnósticos precisos, orientar os pacientes para terem uma vida saudável e receitar medicamentos, se julgarem necessário.

Nosso serviço de telemedicina também colabora para que pacientes possam tirar dúvidas e reportar sintomas, sem sair de casa, a qualquer hora. Os neurologistas do EuSaúde acompanham quem tem propensão para sofrer um AVC e, assim, ajudam a preveni-lo.

Estamos aqui para cuidar de você. Consulte um de nossos neurologistas agora mesmo!