Em live do EuSaúde, psicóloga ressalta a importância do tratamento adequado, do acolhimento familiar e da importância da inclusão na escola

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) pode – e deve – ser diagnosticado logo cedo. Como afeta o comportamento do indivíduo, os primeiros sinais podem ser notados em bebês de poucos meses. 

Dificuldade para interagir socialmente, dificuldade na comunicação, e alterações comportamentais são alguns dos sintomas que uma pessoa com o espectro pode apresentar.

Cada indivíduo autista desenvolve o seu conjunto de sintomas variados e características bastante particulares. Tudo isso vai influenciar como cada pessoa se relaciona, se expressa e se comporta.

O diagnóstico de TEA ainda é exclusivamente clínico, feito pelo médico especialista com subsídio de avaliações de equipe multiprofissional. A detecção precoce é a melhor forma de garantir uma intervenção adequada e o melhor prognóstico possível.

Tratamento e adaptação

Em uma live feita no Instagram do EuSaúde, Aline Abreu Andrade, psicóloga e fundadora da Link Psicologia, clínica especializada no atendimento de crianças autista, conversou abertamente e fez esclarecimentos fundamentais sobre o autismo.

O diagnóstico do autismo pode gerar certo impacto na família. O susto e a insegurança iniciais são percebidos quando as famílias começam a frequentar as clínicas e a conversar com os especialistas que irão tratar da criança.

Aline conta que muitos pais, depois do diagnóstico do filho, acabam perdendo a referência de como educar a criança e acreditam que tudo que ensinaram anteriormente, bem como toda a disciplina já instaurada, deve ser anulado. Entretanto, esse não é o melhor caminho a se seguir.

“A criança autista não deixa de ser criança depois do diagnóstico. Também não deixa de carregar em si as suas características de personalidade. O autismo é apenas uma coisa a mais e a criança deve ser educada pelos pais, aprender o que é certo ou errado, assim como seria se não tivesse o espectro”, pontua.

Além disso, segundo ela, cada criança demanda uma adaptação e um tratamento diferente, dependendo das suas características particulares. Não existe uma regra que englobe todos os autistas, mas a observação e mapeamento das suas maiores dificuldades ajudam os profissionais a traçarem as melhores formas de auxiliar a criança.

“Como o próprio nome diz, trata-se de um espectro muito amplo e isso faz com que a gente tenha desde crianças completamente não verbais, até crianças com um quadro muito brando, com sintomas bem sutis, que não precisam de quase nenhuma adaptação”, afirma.

De acordo com a psicóloga, para as crianças que apresentam muita dificuldade na fala, por exemplo, é indicado que os terapeutas trabalhem com mais suporte visual. Dessa forma, ela consegue se expressar por uma via alternativa à fala.

Mesmo crianças com quadros mais brandos podem ainda apresentar certo tipo de resistência às possíveis mudanças na rotina. “Nesses caso pode ser necessário que nós antecipemos para ela o que vai acontecer no dia, assim a criança pode se preparar, não ficará ansiosa e nem reagirá mal a um novo contexto”, comenta.

Real acolhimento

Na convivência com a criança autista, os cuidados devem ir além dos terapêuticos e médicos. Ela precisa de sentir acolhida e confiante no meio em que vive para que consiga se desenvolver melhor, conhecendo suas potencialidades e vencendo desafios.

Da mesma forma, os pais também precisam se sentir acolhidos e amparados pela equipe especialista no tratamento do filho. Para tanto, os médicos, psicólogos, fonoaudiólogos e demais profissionais envolvidos com a criança autista precisam estar realmente conectados com a família e escutá-la com atenção. “Costumo falar que os pais são os especialistas na sua criança”, evidencia a psicóloga.

Aline acredita que toda a teoria que embasa a equipe multidisciplinar é parte fundamental do tratamento, mas também pondera que não pode ser a única. “A conduta do profissional só como detentor total do saber não permite a sua troca verdadeira com a família.”

A psicóloga comenta também que, na prática, os pais precisam estar atentos quando o assunto é “superproteção” do autista. Um dos grandes desafios para esses responsáveis é cuidar da criança sem deixar que ela crie autonomia.

“Às vezes brinco com os pais e digo que eles estão sendo ladrões de oportunidades do filho. Quando os responsáveis dão um suporte exagerado, eles tiram a chance da criança aprender a fazer por ela mesma. É preciso ter um olhar de compressão para com a criança, mas sem deixar de apostar nela, nas suas capacidades”, afirma.

Inclusão escolar

Receber o diagnóstico de que o seu filho tem autismo não é fácil, mas mais difícil ainda é saber que a criança pode, infelizmente, ter que lidar com uma sociedade pouco inclusiva e cheia de preconceitos.

Muitas escolas que se intitulam “inclusivas”, tentam ganhar as famílias das crianças autistas afirmando que, na instituição, elas serão tratadas como todos os outros alunos. Ainda de acordo com a psicóloga, nesse argumento já existe um erro.

“A diversidade é algo inerente do ser humano. As pessoas deveriam conviver com ela de forma normal, mas, infelizmente, isso não acontece na sociedade em que vivemos. Precisamos que as escolas ajam de forma diferente com pessoas diferentes”, argumenta.

Quando se trata do bullying, as crianças autistas podem se tornar um alvo devido à toda desinformação e carga de preconceitos que ainda pairam sob o ambiente escolar, assim como sob toda a sociedade de forma geral.

Apesar da mentalidade inclusiva ainda estar distante, Aline afirma que escolas que acolhem crianças autistas ou com deficiências físicas e intelectuais, por exemplo, tendem a ter menos índice de bullying.

“Escolas que tem maior facilidade de lidar com a diversidade acabam formando crianças mais preparadas para a aceitar as diferenças”, finaliza a psicóloga.

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