É completamente normal e justo que todos os indivíduos queiram viver e conviver em espaços regidos por normas e valores coerentes à sociedade em que estão inseridos.

Para isso, é preciso que os espaços cotidianos (de trabalho e estudo, por exemplo) estejam preparados para a garantia de um ambiente socialmente saudável, proporcionando condições favoráveis a trabalhadores e alunos.

Somente assim as pessoas irão desenvolver com êxito, suas habilidades e aptidões e, ao mesmo tempo, expressar seus interesses, de maneira ativa, pacífica e produtiva, nos diversos aspectos da vida social.

O que acontece em muitos ambientes de convivência em grupo, no entanto, são situações contrárias às normas e valores coerentes à sociedade, expressas de maneiras sutis e com características próprias.

O bullying e o assédio moral são exemplos de agressões psicológicas, que colocam o indivíduo em profundo estado de vulnerabilidade. Enquanto o bullying ocorre entre jovens, mais usual em ambiente estudantil, o assédio moral acontece, geralmente, em relações trabalhistas.

Ambos os casos são considerados comportamentos doentios. Algumas pesquisas apontam que existe uma grande possibilidade de crianças e adolescentes que praticam bullying na vida escolar, virem a praticar diferentes tipos de assédio no futuro.

Bullying

Bullying é agir de forma a assustar ou prejudicar outra pessoa. As crianças que fazem bullying costumam escolher alguém que é mais fraco ou mais sozinho e repetem as ações com frequência.

O bullying geralmente começa no ensino fundamental e se torna mais comum no ensino médio. No ensino superior, é menos comum, mas ainda pode ocorrer.

A prática é identificada como um quadro de agressões contínuas, repetitivas, com características de perseguição do agressor contra a vítima. Uma agressão isolada, resultante de uma briga, não pode ser caracterizada como bullying.

Tipos de bullying

Segundo a revista Veja, o bullying pode assumir várias formas e frequências diferentes, incluindo:

  • Físico: Inclui beliscões, socos, chutes, empurrões e afins. Aproximadamente 3% dos mais jovens pelo mundo passam por ele.
  • Verbal: Relatado por 13% dos estudantes, é composto de apelidos, xingamentos e provocações.
  • Escrito: Quando bilhetes, cartas, pichações, cartazes, faixas e desenhos depreciativos são usados para atacar os colegas.
  • Material: Ter seus pertences danificados, furtados ou atirados contra si faz parte da rotina de cerca de 5% das vítimas.
  • Moral: A tática aqui é difamar, intimidar ou caluniar imitando ou usando trejeitos próprios do alvo como armas.
  • Sexual: Agressão de caráter sexual ou que envolvam a sexualidade, como exposição da ou à nudez, toques e insinuações.
  • Cyberbullying: A agressão se dá por meios digitais, como e-mail, fotos, vídeos e posts e, em pouco tempo, alcança muita gente. 

Por que o bullying é um problema?

Crianças que sofrem bullying têm maior probabilidade de se sentirem mal consigo mesmas e ficarem deprimidas. O isolamento, as humilhações e a forte sensação de medo propiciam impactos a longo prazo nas vítimas do bullying. Baixa autoestima, insegurança, ansiedade, estresse, ataques de pânico e depressão são alguns exemplos dos possíveis prejuízos.

Obesidade e problemas cardíacos também são associados ao trauma. Transtornos alimentares que levam a obesidade ou ainda a anorexia/bulimia podem também ser consequências do bullying .

É comum que o aluno, vítima de bullying, tenha pavor de ir às aulas, uma vez que os ataques não colaboram para um ambiente propício para o aprendizado. Esse quadro favorece o desinteresse pelas atividades e tarefas escolares, prejudicando o seu desenvolvimento cognitivo.

A vítima também pode parecer sempre na defensiva e demonstrar sintomas de estresse e agressividade para com os demais, como pais, professores e colegas. Às vezes, pode até tomar medidas extremas, como fazer uso de armas para se defender, se automutilar, fazer uso de substância ilícitas ou até mesmo recorrer ao suicídio.

Crianças que intimidam outras pessoas, por sua vez, também tendem a enfrentar muitos problemas a longo prazo. Geralmente elas têm maior probabilidade de abandonar a escola, ter problemas com drogas, álcool e infringir a lei.

Assédio moral

Assédio moral é a exposição de alguém a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas. Geralmente, tal expressão se refere a atos ocorridos durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções.

São mais comuns em relações hierárquicas autoritárias e assimétricas, em que predominam condutas negativas, relações desumanas e antiéticas de longa duração. Estudos indicam que a prática do assédio moral ocorre quando há diferenças de opiniões, comportamentos, caráter, sexo, raça, rivalidade, inveja, ciúme, medo, etc.

Uma agressão verbal pontual, a menos que tenha sido precedida de múltiplas pequenas agressões, é um ato de violência, mas não é assedio moral. Agressões constantes, no entanto, principalmente se forem acompanhadas de outras injúrias para desqualificar a pessoa, são classificadas como assédio moral.

Tipo de assédio moral

Segundo o Jusbrasil, existem 4 tipos de assédio moral, que são identificados como:

  • Assédio Vertical Descendente: É o assédio é praticado por um trabalhador hierarquicamente superior ao empregado assediado. Pode-se visualizar esse tipo de prática, por exemplo, quando um gerente cobra metas de seus subordinados e, para isso, os coloca em situações humilhantes.
  • Assédio Moral Organizacional: Nesta hipótese, o empregado sofre violência psicológica da própria empresa pelo ambiente de trabalho que está inserido. Normalmente ocorre em empresas extremamente competitivas que estimulam seus funcionários a disputarem entre si, propagando o medo (normalmente por meio de ameaças, ainda que de menor grau).
  • Assédio Moral Horizontal: O assédio moral horizontal ocorre entre funcionários que ocupam a mesma posição hierárquica dentro da empresa. Pode-se visualizar essa situação quando um funcionário bate suas metas e debocha do outro que não as conseguiu cumpri-las.
  • Assédio Moral Vertical Ascendente: O assédio vertical ascendente, embora seja extremamente raro, ocorre quando um funcionário hierarquicamente inferior assedia seu superior.

Por que o assédio moral é um problema?

Os indivíduos vítimas de assédio moral não sofrem somente os danos psíquicos. Muitas vezes sua integridade física também pode ser fortemente abalada e ele pode vir a adoecer com maior frequência.

Em alguns casos, as pessoas que sofrem assédio moral deixam de ser capazes de se comportar normalmente, tanto no trabalho quanto na sua vida quotidiana.

O assédio pode provocar estresse pós-traumático, perda de autoestima, ansiedade, depressão, apatia, irritabilidade, perturbações da memória, perturbações do sono e problemas digestivos, podendo até conduzir ao suicídio.

As vítimas veem normalmente a sua saúde, confiança, moral e desempenho profissional afetados, o que leva à diminuição da eficiência laboral e até mesmo ao afastamento do trabalho ou demissão.

Como resultado, a autoestima dos trabalhadores, o sentimento de identidade com a organização, a responsabilidade com o trabalho, a produtividade e a competitividade, entre outros indicadores, ficam severamente frágeis e abalados.

Combatendo o bullying

O bullying e o assédio moral podem ocorrer em diversas fases da vida, apesar de serem bastante característicos na fase escolar e, posteriormente, na fase coorporativa do indivíduo.

É importante ressaltar que os padrões de comportamento do agressor podem se perpetuar, assim muitas crianças que praticaram bullying na escola, tendem a exercer assédio moral na fase adulta.

No caso do bullying, é fundamental que a comunidade escolar esteja atenta aos sinais e supervisione os alunos, incentivando uma política de proibição de intimidação.

A coordenação da escola deve estar sempre alerta para interferir diretamente nos grupos o quanto antes, a fim de quebrar a dinâmica do bullying.

É igualmente interessante que as crianças sejam estimuladas e ensinadas a falar sobre assunto e a não sofrerem sozinhas. Os pais ou responsáveis devem estar sempre atentos ao comportamento dos filhos. As crianças que sofrem bullying devem ser apoiadas e protegidas!

Em termos jurídicos, diversos crimes podem ser praticados por meio do bullying, principalmente nas escolas. Entretanto, os menores de 18 anos, por lei, não cometem crimes, mas sim infração penal.

Nesse caso, a punição aplicada para autores de bullying com menos de 18 anos são medidas socioeducativas previstas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que estabelece sanções específicas para menores.

Combatendo o assédio moral

No que tange ao assédio moral, em março de 2019, a Câmara Federal aprovou o PL (Projeto de Lei) 4742/2001, que tipifica o assédio moral no trabalho como crime.

Pelo texto, se configura como assédio moral quem ofender reiteradamente a dignidade de alguém, causando-lhe dano ou sofrimento físico ou mental, por conta do exercício de emprego, cargo ou função. As vítimas podem encontrar uma solução para o problema junto à Justiça.

As empresas, com o objetivo de tornar mais saudável o ambiente de trabalho, também podem tomar medidas preventivas de modo a evitar o assédio. Entre as medidas possíveis, estão:

  • Treinar e capacitar os gestores para administrar os conflitos;
  • Conscientizar os empregados de modo a evitar ou mesmo denunciar eventuais assédios cometidos por colegas ou superiores;
  • Exercitar e garantir que o estilo de gestão e as práticas de administração de pessoal sejam aplicadas com isonomia a todos os trabalhadores;
  • Promover mudanças na administração ou mesmo no quadro de pessoal de forma a combater a prática de assédio;
  • Medir e acompanhar o clima organizacional a fim de identificar eventuais conflitos, de modo a incentivar as boas relações no ambiente de trabalho, proporcionando um clima mais harmonioso.

Acompanhamento psicológico

Os jovens que praticam bullying e os adultos que exercem assédio moral possuem características comuns em sua personalidade. Algumas delas são a falta de empatia, a necessidade de controle, o desejo de poder ou status e a impulsividade.

O acompanhamento psicológico dos agressores pode ser uma das maneiras de reverter este quadro problemático. Quanto mais jovem a pessoa começa um tratamento, mais fácil será reformular seus conceitos, aprender novos hábitos, mudar a postura perante as situações da vida e ser uma pessoa melhor.

Para quem sofre ou já sofreu bullying e assédio moral, o apoio psicológico é igualmente transformador. Profissionais da saúde, como psicólogos e psiquiatras, podem contribuir para devolver a autoestima da vítima e minimizar os traumas do assédio na saúde mental.

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